DESDE 2013

Senado renova 74% das cadeiras, PL amplia bancada e eleição para presidência da Casa entra no centro das articulações políticas

Com 40 novos parlamentares entre os 54 eleitos, Senado terá a maior bancada do PL desde a redemocratização. Resultado amplia a presença da direita, altera o equilíbrio de forças no Congresso e impõe novos desafios à governabilidade do quarto mandato de Lula.

Brasília, 04 de outubro de 2026 – As eleições de 2026 promoveram uma ampla renovação no Senado Federal, com a substituição de 40 dos 54 parlamentares que ocupavam as cadeiras em disputa, o equivalente a 74,1%. O resultado também alterou significativamente a correlação de forças políticas na Casa, com o avanço do Partido Liberal (PL), que passará a ter a maior bancada, com 28 dos 81 senadores, e ampliará sua influência nas negociações legislativas e na escolha do próximo presidente do Senado.

A eleição, realizada em 4 de outubro, renovou dois terços das cadeiras, com a escolha de dois representantes por estado e pelo Distrito Federal. Os eleitos tomarão posse em 1º de fevereiro de 2027 e exercerão mandatos de oito anos, até janeiro de 2035.

Entre os 32 senadores que disputaram a reeleição, apenas 14 conseguiram renovar seus mandatos, uma taxa de sucesso de 43,7%. Outros 18 foram derrotados. A renovação já era esperada, uma vez que 13 ocupantes de cadeiras em disputa não concorreram e outros nove participaram das eleições em cargos diferentes ou integraram chapas como suplentes.

Apesar de expressiva, a substituição de parlamentares ficou abaixo da registrada em 2018, quando o índice de renovação atingiu 85,2%, com apenas oito dos 32 senadores candidatos à reeleição conseguindo permanecer na Casa.

Segundo o cientista político Alexandre Rocha, a renovação elevada costuma caracterizar as eleições em que dois terços do Senado são submetidos às urnas. Para ele, o principal destaque de 2026 não está apenas na quantidade de novos integrantes, mas na mudança da composição partidária e no crescimento da representação do PL.

PL conquista maior bancada e amplia influência sobre o Senado

O Partido Liberal foi a legenda que mais elegeu senadores em 2026, conquistando 19 das 54 cadeiras em disputa. Somados aos parlamentares com mandato em andamento e consideradas as mudanças de titularidade, o partido deverá iniciar a próxima legislatura com 28 representantes, o equivalente a 34,6% do Senado.

O resultado representa um crescimento significativo em relação à bancada de 15 senadores registrada antes das eleições e coloca o PL na posição de maior força partidária individual da Casa.

O PT, partido do presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva, elegeu seis senadores e deverá contar com uma bancada de aproximadamente nove a dez parlamentares, conforme os critérios de contabilização das filiações e dos mandatos em exercício. O MDB elegeu sete representantes, enquanto PP, PSB, União Brasil e Novo conquistaram três cadeiras cada.

O crescimento do PL foi especialmente expressivo em estados nos quais a legenda conquistou as duas vagas disponíveis, como Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Rondônia e Santa Catarina.

Entre os nomes eleitos pelo partido estão Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, no Distrito Federal; Carlos Bolsonaro e Carol de Toni, em Santa Catarina; Carlos Portinho e Carlos Jordy, no Rio de Janeiro; e Gustavo Gayer, em Goiás.

O resultado também levou ao Senado outros nomes associados à direita e ao campo conservador, como Deltan Dallagnol (Novo-PR), Marcel van Hattem (Novo-RS) e Lahesio Bonfim (Novo-MA).

Em sentido contrário, o PT conquistou as duas vagas da Bahia, com Rui Costa e Jaques Wagner, além de eleger representantes em Minas Gerais, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.

A nova configuração amplia a influência dos partidos de direita e centro-direita, embora a formação de maiorias continue dependendo de acordos com diferentes legendas.

Derrotas de lideranças tradicionais e mudanças nas bancadas estaduais

A eleição também marcou a saída de nomes de longa trajetória no Senado e no cenário político nacional.

Entre os derrotados estão Renan Calheiros (MDB-AL), Ciro Nogueira (PP-PI), Esperidião Amin (PP-SC) e Randolfe Rodrigues (PT-AP), parlamentares que exerceram papéis de destaque nas articulações políticas e no funcionamento do Congresso Nacional.

Em contrapartida, o Senado receberá ex-governadores, deputados federais e lideranças que desempenharam funções de projeção nos governos estaduais e no Executivo federal.

Entre os eleitos estão o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), os governadores Helder Barbalho (MDB-PA), Renato Casagrande (PSB-ES), João Azevêdo (PSB-PB) e Mauro Mendes (União-MT), além do ministro Rui Costa (PT-BA).

O ingresso dessas lideranças tende a ampliar a presença de parlamentares com experiência em gestão pública e articulação federativa, trazendo para o Senado discussões relacionadas à distribuição de recursos, à reforma tributária e à relação entre União, estados e municípios.

A renovação, entretanto, não significa ausência de continuidade política. Entre os reeleitos estão Jaques Wagner (PT-BA), Eduardo Braga (MDB-AM), Humberto Costa (PT-PE), Cid Gomes (PSB-CE), Marcelo Castro (MDB-PI), Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB), Carlos Portinho (PL-RJ) e Eduardo Gomes (PL-TO).

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