As eleições municipais no Brasil apresentam características específicas que as diferenciam significativamente das eleições gerais, especialmente no que tange ao menor impacto do debate ideológico – entre direita e esquerda ou progressista e conservador. Enquanto as eleições gerais costumam ser polarizadas por grandes temas nacionais e, por consequência, de visões mais bem definidas sobre projetos político-ideológicos, especialmente atreladas à disputa para a presidência da República, as eleições municipais são fortemente pautadas por questões locais, como a situação econômica, as questões de infraestrutura e a capacidade de prestação de serviços públicos, como saúde e educação. Além disso, existe um maior pragmatismo nas disputas regionais, não raro, partidos que polarizam ideologicamente em extremos opostos no debate nacional, realizam alianças táticas para derrotar adversários comuns.
Embora o sistema político brasileiro tenha conferido aos partidos papel central no processo democrático e eleitoral, nas eleições municipais, especialmente nas disputas para prefeito, a identificação partidária é menos determinante para a escolha do eleitor. A personalidade e o histórico do candidato contam mais. As redes de influência locais, como lideranças comunitárias, ainda desempenham um papel significativo na mobilização do voto.
Assim, o desempenho das máquinas administrativas em nível municipal e de governo estadual têm grande peso, beneficiando prefeitos que buscam a reeleição ou candidatos apoiados por eles, bem como aliados dos respectivos governadores. Essa dinâmica contribui para o fortalecimento de candidaturas associadas a partidos que têm maior acesso a recursos públicos, como emendas parlamentares e fundos partidários, ou que exercem maior influência na gestão desses recursos.
No contexto da disputa nacional, ainda que o atual presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ex-presidente, Jair Bolsonaro, continuem sendo os maiores puxadores de voto no cenário político, a dinâmica das eleições municipais de 2024 apresenta nuances que vão além dessa polarização.
Para Lula, o principal desafio, como chefe de governo, é fortalecer sua governabilidade assegurando uma base de apoio sólida no Congresso Nacional para garantir a estabilidade de seu governo e viabilizar projetos de longo prazo, incluindo uma possível reeleição. Isso significa que, muitas vezes, o presidente atua de maneira pragmática, optando por construir alianças com partidos de diferentes matizes ideológicas nos municípios, com foco na consolidação de uma coalizão estável no Congresso Nacional.
Por outro lado, Jair Bolsonaro, apesar de estar inelegível pela Justiça Eleitoral, teve maior liberdade para atuar como figura influente na disputa municipal, sem as amarras de quem precisa ampliar sua governabilidade. Sem a responsabilidade de gerenciar alianças para garantir a estabilidade institucional, Bolsonaro pôde se concentrar em expandir sua influência política em municípios estratégicos e apoiar candidatos mais alinhados com seu discurso.
Esses fatores contribuem para um ciclo em que os partidos com maior capacidade de acessar e administrar recursos públicos ampliam suas bases de apoio, assegurando sua permanência no poder municipal e consolidando sua força para as eleições gerais subsequentes, especialmente para os cargos de governador e para os Poderes Legislativos, locais e federal.
Tais premissas foram majoritariamente evidenciadas novamente nas eleições deste ano, mas ao menos duas candidaturas fugiram a esse padrão. A primeira e mais emblemática foi registrada no município de São Paulo (SP), maior capital brasileira, através do coach e influenciador Pablo Marçal, candidato pelo nanico PRTB, que deixou de ir ao segundo turno por apenas 56.854 votos, alcançando 28,14% dos votos válidos (ou 1.719.274 votos); a segunda, ocorrida em Curitiba (PR), com a candidatura da jornalista Cristina Graeml, pelo também minúsculo PMB, obteve 31,17% dos votos válidos (ou 291.523 votos) e disputará o segundo turno contra Eduardo Pimentel, do PSD. Ambos são fenômenos nas mídias sociais, representam plataformas com viés “outsider” e conseguiram pautar debates nacionais no pleito regional. O caso de Marçal é mais simbólico, visto que ele conseguiu transformar uma disputa municipal em nacional, fazendo com que muitas pessoas de outras localidades tenham tido mais interesse na disputa pelo município de São Paulo do que no próprio domicílio eleitoral. Resta saber se esses serão casos isolados em pleitos municipais ou se tornarão mais frequentes doravante.
Para além do contexto acima, o resultado eleitoral de 2024 trouxe um panorama de transformações no cenário partidário brasileiro, especialmente quando comparamos os resultados das eleições municipais de 2016, de 2020 e o desempenho dos partidos no primeiro turno de 2024, juntamente com as projeções[1] para as disputas em segundo turno, especialmente considerando o número de habitantes que será governado por cada partido nos municípios brasileiros.
Dos 5.569 municípios com eleições em 2024, 51 ainda realizarão disputa em segundo turno para definição de seus respectivos prefeitos. Dos municípios com disputa em segundo turno, o PL, o União Brasil e o PSD estão empatados como os partidos com maior número de candidaturas favoritas na disputa, 8 cada. O MDB segue de perto, com 7. O Republicanos, o PP e o Podemos têm 4 candidaturas cada. O PT e o PSDB contam com 3 cada, enquanto o PDT participa como favorito em 2 municípios. Entre os partidos menores, o Avante e o PMB podem conquistar uma prefeitura, cada.

Tendo em vista o resultado do primeiro turno das eleições e as projeções medidas pelas pesquisas eleitorais nas disputas em segundo turno, buscaremos apresentar o provável cenário acerca da representatividade eleitorado dos partidos, tanto em relação ao número de cadeiras em disputa, quanto ao número de brasileiros liderados.
No tocante à representatividade, o PSD e o PL despontam como os grandes vencedores de 2024. O PSD, que em 2016 liderava um eleitorado de 13,4 milhões de pessoas, cresceu significativamente ao longo das últimas eleições e, agora projeta, governar quase 36 milhões, o que representa um aumento de 56,07% em relação ao último pleito. Esse crescimento contínuo evidencia uma consolidação do partido como força relevante no país, herdando parcelado eleitorado tucano, com perfil mais moderado, que segue em tendência de declínio.
Da mesma forma, o PL protagonizou um salto impressionante, saindo de uma base de 7,9 milhões de habitantes em 2016 para um total projetado de mais de 30 milhões em 2024, com um aumento impressionante de 238,38% em relação à eleição municipal anterior. Este crescimento está, sem dúvida, condicionado ao apoio de figuras-chave e à polarização nacional, que foi refletida em alguns dos maiores municípios brasileiros. Os tucanos, novamente, aparecem como maior “doador” de eleitorado, agora dos eleitores com perfil mais radical. Outro partido que apresentou crescimento expressivo foi o Republicanos, que ampliou sua base em 79,34%, projetando governar mais de 13 milhões de brasileiros em 2024, ampliando seu espaço no campo conservador e fortalecendo sua presença nas disputas locais.
A despeito de ter perdido o posto de partido com o maior número de prefeituras conquistadas para o PSD, o MDB deverá liderar o maior número de eleitores a partir de 2025, caso o atual prefeito de São Paulo confirme o favoritismo indicado nas pesquisas e consiga se reeleger. Nesse contexto, o MDB que em 2016 governava 28 milhões de pessoas, passará a liderar cerca de 36 milhões em 2025, pouco mais dos 35 milhões projetados para o PSD.
Se por um lado vemos a ascensão de partidos como PSD, PL e Republicanos, por outro lado, partidos historicamente dominantes enfrentam uma trajetória de declínio. O PSDB, que em 2016 governava mais de 48 milhões de habitantes, passou por um declínio acentuado nas últimas eleições, refletindo a perda de espaço para partidos de perfil mais conservador, reduzindo sua base em 75,63% e deverá governar apenas cerca de 8,3 milhões de pessoas a partir de 2025 – parte dos prefeitos eleitos, inclusive, poderá migrar de partido nos próximos anos, especialmente nos estados de Mato Grosso do Sul e Pernambuco. Essa queda reflete a dificuldade do partido em se reposicionar no cenário político atual, uma vez que a extrema direita passou a ocupar seu espaço na polarização em âmbito federal.
Entre os partidos de esquerda, o PT apresentou uma leve recuperação nas eleições municipais de 2024. O partido, que governava pouco mais de 6 milhões de habitantes em 2020, projeta alcançar ao menos 7,1 milhões de habitantes em 2024, um crescimento de 18,81%. Esse aumento reflete a capacidade da sigla de se manter relevante em algumas regiões, principalmente no Nordeste e em áreas historicamente associadas ao partido. Caso consiga sair vitorioso nas capitais em que disputa o segundo turno, esse número poderá ser elevado significativamente, conforme se pode verificar na tabela abaixo.
O PSB também se manteve estável, com uma queda de 3,34% no número de habitantes governados, passando de 9,1 milhões em 2020 para cerca de 8,8 milhões em 2024. Essa pequena queda sugere que, embora tenha enfrentado dificuldades, o partido conseguiu manter sua presença em algumas áreas estratégicas.
O PDT enfrentou uma perda significativa de território eleitoral, com uma queda de 68,72% em relação a 2020. A legenda, que governou mais de 10,8 milhões de participantes naquele ano, projeta agora apenas 3,3 milhões, evidenciando dificuldades em expandir sua base, especialmente em regiões onde sua presença historicamente era mais forte.
O PCdoB também enfrentou uma queda acentuada de 65,58% no número de habitantes governados, saindo de 1 milhão de habitantes em 2020 para apenas 363 mil em 2024. O PSOL, por sua vez, deve enfrentar a situação mais drástica entre os partidos de esquerda, uma vez que não deverá conquistar nenhuma prefeitura nas eleições de 2024. Em 2020, o PSOL conquistou a liderança de aproximadamente 1,5 milhão de habitantes, mas não deve conseguir eleger prefeitos em 2024.
Entre os partidos “nanicos”, o Novo deverá mais que dobrar sua base eleitoral em relação a 2020, saindo de 597 mil para 1,4 milhão. Partidos como o DC e o Agir, apesar de terem bases pequenas, registaram crescimentos expressivos percentualmente, com o DC aumentando em 1640% e o Agir em quase 2000%.
| Partido | 2016 | 2020 | 2024 [2] (1 Turno) | 2024[3] (Cenário-base projetivo) | Saldo Nominal (Cenário-base projetivo x 2020) | % | 2024 (Cenário-mínimo projetivo) | 2024 (Cenário-máximo projetivo) |
| MDB* | 28.755.088 | 26.098.554 | 19.707.446 | 36.067.562 | 9.969.008 | 38,20% | 35.663.444 | 36.067.562 |
| PSD | 13.484.097 | 23.002.938 | 28.534.539 | 35.900.003 | 12.897.065 | 56,07% | 33.483.664 | 36.265.405 |
| PL* | 7.963.520 | 8.957.806 | 21.701.621 | 30.311.054 | 21.353.248 | 238,38% | 24.774.024 | 33.051.018 |
| União* | 11.383.885 | 27.038.800 | 18.652.313 | 23.434.621 | -3.604.179 | -13,33% | 22.117.806 | 24.708.552 |
| PP | 9.662.376 | 16.643.705 | 17.092.233 | 19.515.578 | 2.871.873 | 17,26% | 18.561.041 | 19.515.578 |
| Republicanos* | 9.671.780 | 7.387.233 | 11.876.935 | 13.247.926 | 5.860.693 | 79,34% | 12.636.841 | 13.247.926 |
| PSB | 16.577.206 | 9.149.488 | 8.843.853 | 8.843.853 | -305.635 | -3,34% | = | = |
| PSDB | 48.379.169 | 34.066.661 | 7.219.012 | 8.303.043 | -25.763.618 | -75,63% | 8.303.043 | 8.675.605 |
| PT | 6.033.981 | 6.045.238 | 6.161.191 | 7.182.118 | 1.136.880 | 18,81% | 6.497.322 | 11.562.747 |
| Podemos* | 7.814.129 | 10.076.946 | 5.211.471 | 6.971.296 | -3.105.650 | -30,82% | 6.647.671 | 6.971.296 |
| PDT | 12.461.212 | 10.809.958 | 2.292.462 | 3.381.456 | -7.428.502 | -68,72% | = | = |
| Avante | 229.090 | 4.831.677 | 2.750.823 | 2.750.823 | -2.080.854 | -43,07% | 2.750.823 | 5.030.509 |
| Cidadania* | 6.028.570 | 4.333.838 | 1.446.315 | 1.446.315 | -2.887.523 | -66,63% | = | = |
| Novo | 0 | 597.658 | 1.400.432 | 1.400.432 | 802.774 | 134,32% | 1.400.432 | 1.721.730 |
| PRD* | 7.322.668 | 5.163.123 | 1.377.174 | 1.377.174 | -3.785.949 | -73,33% | = | = |
| SD* | 3.226.816 | 4.442.911 | 1.330.479 | 1.330.479 | -3.112.432 | -70,05% | = | = |
| PV | 3.536.562 | 1.230.305 | 403.462 | 403.462 | -826.843 | -67,21% | = | = |
| PCdoB* | 2.783.599 | 1.057.269 | 363.963 | 363.963 | -693.306 | -65,58% | = | = |
| Mobiliza* | 2.425.704 | 199.318 | 188.944 | 188.944 | -10.374 | -5,20% | = | = |
| PMB | 677.677 | 61.388 | 103.439 | 103.439 | 42.051 | 68,50% | 103.439 | 1.932.664 |
| DC* | 300.831 | 5.651 | 98.328 | 98.328 | 92.677 | 1640,01% | = | = |
| Agir* | 404.117 | 3.631 | 75.612 | 75.612 | 71.981 | 1982,40% | = | = |
| Rede | 1.322.580 | 101.293 | 33.990 | 33.990 | -67.303 | -66,44% | = | = |
| PRTB | 152.293 | 126.418 | 20.474 | 20.474 | -105.944 | -83,80% | = | = |
| PSOL | 14.246 | 1.546.909 | 0 | 0 | -1.546.909 | -100,00% | = | = |
O cenário partidário brasileiro tem passado por diversas transformações ao longo dos últimos anos, com fusões, incorporações e mudanças de nome de siglas partidárias, que participaram de pleitos anteriores, conforme apontado na tabela acima nos partidos destacados (*):
- o PFL transformou-se no DEM e, posteriormente, se fundiu ao PSL, originando o União Brasil;
- o PTN mudou de nome para Podemos (PODE) e recentemente incorporou o PHS e o PSC;
- o PTdoB tornou-se o Avante;
- o PEN mudou de nome para Patriota e posteriormente se fundiu com o PRP, adotando a sigla PRD;
- o PMDB retornou ao nome original MDB;
- o PSDC transformou-se em DC; o PPS se tornou Cidadania; o PR transformou-se no PL;
- o PRB tornou-se o Republicanos; o PROS foi incorporado pelo Solidariedade;
- o PPL foi incorporado ao PcdoB;
- o PMN transformou-se em Mobiliza; e,
- o PTC mudou de nome para Agir.
Sob outro prisma, ao agrupar os partidos por blocos ideológicos, é possível observar uma clara divisão entre centro, direita e esquerda, com implicações significativas no número de habitantes governados a partir de 2025.

O bloco de Centro, que inclui partidos como: MDB, PSD, Podemos, Avante, Cidadania, PRD, Solidariedade, Mobiliza, PMB e Agir, deverá ser o maior vitorioso, ampliando o número de habitantes governados a partir de 2025 em 10,2% ou 7,9 milhões de pessoas; o bloco da direita e centro-direita, representado por: PSDB, União Brasil, PL, PP, Republicanos, Novo, PRTB e DC, também deverá apresentar pequeno crescimento, de 1,5% ou 1,5 milhões de pessoas. Por outro lado, o bloco da esquerda e centro-esquerda, composto por: PT, PDT, PSB, PSOL, PCdoB, PV e Rede, deverá apresentar uma redução significativa, com uma queda de 32,5% ou 9,7 milhões de habitantes. Voltamos a ressaltar que esses dados são projetivos e serão atualizados após o segundo turno das eleições.
Agora considerando o desempenho dos partidos no que se refere ao número de votos obtidos na disputa para vereadores em comparação com as eleições de 2020, em termos nominais, verifica-se que o PSD, o MDB e o PP obtiveram o maior número de votos – o MDB com 11,2 milhões de votos, com crescimento de 38,27% em relação a 2020; o PSD, com 10,3 milhões de votos, ampliação em 37,33%; e o PP 10,1 milhões de votos, com salto de 42,25%.
Em termos percentuais, entre os partidos grandes, o PL foi o partido com maior crescimento, ampliando em 90,20% o número de votos para o legislativo municipal, passando de 5,1 milhões em 2020 para 9,7 milhões em 2024. Entre as siglas menores, o Novo apresentou crescimento de 183,33%, saindo de 0,6 milhões para 1,7 milhões.
O Republicanos também demonstrou um desempenho consistente, de 55,77% – saindo de 5,2 milhões para 8,1 milhões de votos. Por sua vez, o União Brasil se manteve estável, com crescimento de apenas 1,1%, com 9,2 milhões de votos.
Ainda em termos percentuais, o PT também apresentou crescimento consistente, de 31,37%, ampliando os 5,1 milhões de votos obtidos em 2020 para os atuais 6,7 milhões; o PSB apresentou crescimento de 38,30% – de 4,7 para 6,5 milhões; e o PDT se manteve praticamente estável, com redução de 4% – de 5 para 4,8 milhões.
Por outro lado, o PSDB novamente apresentou uma queda significativa de 21,67% no número de votos para vereador, diminuindo sua base de 6 milhões em 2020 para 4,7 milhões em 2024. Outro partido que sofreu uma redução expressiva foi o Cidadania, com um decréscimo de 60% na sua base de votos, caindo de 3 milhões em 2020 para 1,2 milhões em 2024. O PCdoB e o PRD também enfrentaram quedas significativas, com reduções de 43,75% e 41,67%, respectivamente, sinalizando dificuldades para esses partidos menores em manter sua relevância no cenário municipal.
| Votos obtidos na disputa para vereador (em milhões)[4] | ||||
| Partido | Eleições 2020 | Eleições 2024 | Saldo Nominal (2024 x 2020) | Saldo % (2024 x 2020) |
| MDB | 8,1 | 11,2 | 3,1 | 38,27% |
| PSD | 7,5 | 10,3 | 2,8 | 37,33% |
| PP | 7,1 | 10,1 | 3 | 42,25% |
| PL | 5,1 | 9,7 | 4,6 | 90,20% |
| União | 9,1 | 9,2 | 0,1 | 1,10% |
| Republicanos | 5,2 | 8,1 | 2,9 | 55,77% |
| PT | 5,1 | 6,7 | 1,6 | 31,37% |
| PSB | 4,7 | 6,5 | 1,8 | 38,30% |
| Podemos | 6,6 | 5,6 | -1 | -15,15% |
| PDT | 5 | 4,8 | -0,2 | -4,00% |
| PSDB | 6 | 4,7 | -1,3 | -21,67% |
| PRD | 6 | 3,5 | -2,5 | -41,67% |
| Avante | 2,3 | 3,3 | 1 | 43,48% |
| SD | 4,5 | 3 | -1,5 | -33,33% |
| Novo | 0,6 | 1,7 | 1,1 | 183,33% |
| PSOL | 1,5 | 1,6 | 0,1 | 6,67% |
| DC | 0,7 | 1,4 | 0,7 | 100,00% |
| Agir | 0,9 | 1,3 | 0,4 | 44,44% |
| Cidadania | 3 | 1,2 | -1,8 | -60,00% |
| PV | 1,9 | 1,2 | -0,7 | -36,84% |
| Mobiliza | 0,7 | 1,1 | 0,4 | 57,14% |
| PCdoB | 1,6 | 0,9 | -0,7 | -43,75% |
| Rede | 0,7 | 0,7 | 0 | 0,00% |
| PRTB | 1 | 0,6 | -0,4 | -40,00% |
| PMB | 0,4 | 0,6 | 0,2 | 50,00% |
O contexto acima revela semelhanças com a atual representatividade partidária identificada na Câmara dos Deputados, que também possui uma predominância entre os partidos do chamado “Centrão” ou à direita do espectro político, com o MDB, o PSD, o PP, o PL, o Republicanos e o União Brasil entre as maiores forças. Ademais, pode-se verificar, conforme o gráfico a seguir, que o PL e o PT ainda possuem uma sub-representação no eleitorado regional se comparado as respectivas bancadas federais. Por outro lado, MDB e PSD apresentam uma distorção em relação entre a representatividade projetiva do eleitorado governado por prefeitos e suas respectivas bancadas.

Como se vê, apesar das distinções existentes entre os contextos regional e nacional nas disputas eleitorais, as eleições municipais desse ano já começam a desenhar tendências importantes para as eleições gerais de 2026. No contexto da representatividade, temos a consolidação do PSD entre os partidos com maior capilaridade nacional, fazendo frente ao MDB; o PL e Republicanos como forças que ampliam representação à direita do espectro político; a guinada pragmática do Novo, que passou a utilizar recursos do fundo partidário e conseguiram ampliar significativamente, em termos percentuais, sua representação; a redução dos partidos de esquerda, especialmente pelo menor desempenho de partidos como PDT, PCdoB e PSOL, que não foram compensadas pelo ligeiro avanço do PT; além do aprofundamento do declínio tucano.
Para além das nuances da representatividade partidária, verifica-se o grande desafio que as forças políticas de esquerda e centro esquerda deverão encontrar para ampliar suas representações no Parlamento Federal em 2026, que tende a se manter com perfil conservador e alinhado à direita do espectro político. Nesse cenário, partidos do chamado “Centrão” deverão continuar exercendo grande protagonismo em nosso presidencialismo de coalizão, cada vez mais mitigado. Por fim, as eleições municipais projetam, novamente, um elevado índice de reeleição para a Câmara dos Deputados em 2026.
[1] Foram realizadas projeções com base em pesquisas eleitorais disponibilizadas até o dia 22/10, buscando identificar cenários projetivos – tendência, com variações menos otimistas – mínimo projetado por partido – e mais otimistas – máximo projetado por partido, conforme o favoritismo dos candidatos.
[2] Dados obtidos em levantamento da CNN, acessado no portal Brasil247, disponível em: https://www.brasil247.com/brasil/psd-lidera-e-governara-mais-de-28-milhoes-de-pessoas-apos-o-primeiro-turno-das-eleicoes-municipais
[3] Análise própria, considerando o número de habitantes projetado pelo IBGE, para 2024, nos 51 municípios com disputa em segundo turno.
[4] Fonte: TSE, com dados obtidos pelo portal Poder 360, disponível em: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes/saiba-quantos-votos-cada-partido-teve-para-vereador-em-2024/
Thiago Queiroz, é jornalista, advogado e analista político, com mais de 16 anos de experiência na cobertura dos Poderes Legislativo e Executivo.