O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil decidiu, nesta quarta-feira (30), interromper o ciclo de aumentos da taxa básica de juros, a Selic, mantendo o índice em 15% ao ano, após sete elevações consecutivas. Essa taxa é o principal instrumento utilizado pelo BC para controlar a inflação, especialmente a que afeta a população de menor renda.
O Copom destacou que a decisão de interromper o aumento da Selic visa examinar os efeitos acumulados das altas já implementadas. A instituição também sublinhou que manter a taxa elevada por um período prolongado deve ser suficiente para garantir a convergência da inflação para a meta estabelecida, embora a política monetária ainda possa ser ajustada conforme as condições econômicas evoluam. O BC afirmou que está “vigilante” e que não hesitará em retomar o ciclo de aumento, caso julgue necessário.
A medida do Copom reflete a cautela diante de um cenário de incerteza econômica, tanto interna quanto externa, com pressões inflacionárias persistentes e uma atividade econômica resiliente. A instituição observou que, para alcançar a meta de inflação em um ambiente de expectativas desancoradas, será necessária uma política monetária bastante contracionista por um período prolongado.
O Copom também apontou os riscos de alta, como a desancoragem das expectativas inflacionárias e a maior resistência da inflação de serviços. Por outro lado, os riscos de baixa incluem uma desaceleração econômica mais pronunciada, tanto no Brasil quanto no cenário global, que poderia ter efeitos desinflacionários.
Governo libera R$ 15,9 bilhões para ministérios no Orçamento de 2025
O governo federal anunciou, nesta quarta-feira (30), a liberação de R$ 20,6 bilhões no Orçamento de 2025. Desse montante, R$ 15,9 bilhões serão destinados aos ministérios e órgãos da administração pública, enquanto R$ 4,7 bilhões foram desbloqueados das emendas de congressistas.
Os ministérios que mais receberam recursos foram o Ministério das Cidades (R$ 1,93 bilhão), da Defesa (R$ 1,92 bilhão) e da Saúde (R$ 1,71 bilhão). O Ministério do Turismo foi a única pasta que não teve reversão do contingenciamento, mesmo que parcial.
De acordo com o Ministério do Planejamento e Orçamento (MPO), a liberação de parte dos bloqueios anteriores foi feita, embora o governo mantenha um monitoramento rigoroso do cenário fiscal ao longo de 2025.
No segundo bimestre, o governo havia bloqueado R$ 10,6 bilhões. Esse montante permaneceu bloqueado e recebeu um acréscimo de R$ 0,1 bilhão, totalizando R$ 10,7 bilhões de bloqueios no terceiro bimestre. O MPO esclareceu a diferença entre bloqueio e contingenciamento: o bloqueio ocorre quando as despesas do Orçamento excedem os limites permitidos pela legislação fiscal e é mais difícil de ser revertido, enquanto o contingenciamento é aplicado quando há frustração de receitas.
Os órgãos têm até o dia 6 de agosto para indicar o que será efetivamente bloqueado ou descontingenciado. Em relação às emendas parlamentares, o processo seguirá regras e prazos específicos.